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quinta-feira, dezembro 08, 2005

roubo

o que eu não penso, eu roubo. ou melhor, mesmo tudo o quanto eu roubo é depois pensado antes de usado. isto, pelos vistos, rima em demasia. mas era o que eu queria escrever, o sentido, apesar do formato.

então, havia um poema com uma mulher numa árvore, que descia para urinar nas calças. este tipo de coisas não me constrange, mas admira-me. não pela ideia, mas pela palavra. ou seja, o contrário exacto do anterior parágrafo.

urinar nas calças, para experimentar. tirando a frustração da higiene, surge-me até como uma ideia interessante. entrar no duche vestido. comer de boca aberta deixando que restos e molho se espalhem pela camisa. não sei se me estão a entender.

portanto, roubo. pilho. são palavras, palavras conjugadas. experimentar o nosso corpo até ao ponto em que corpo, vestuário, sociedade, tudo uma grande amálgama. percebem? desmaterializar o indivíduo até tudo ser a mesma matéria.

nem a mim me parece óbvio, era uma ideia que explorava agora. depois de ler um poema em que uma mulher numa árvore descia para urinar nas calças. e na medida do espanto, também eu me acabo por perder no que escrevo. e tudo confundido já nem se percebe o que é roubado.

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