Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)

sexta-feira, julho 01, 2005

o que tu tens para me dizer é a tua voz baixa, baixíssima, ao ponto de eu te pedir várias vezes para repetires e tu, no mesmo tom de voz, baixo, baixíssimo, repetes, ou então, dizes coisas diferentes, nesse tom, é impossível descortinar. o que tu tens para me dizer é essa tua voz de silêncio.

o que tu tens para me dar é a tua mão fria e sem vigor, que me cumprimenta na distância de duas malas, eu a chegar-me ao teu abraço e tu a dares pequenos passos para trás, tenha uma boa tarde, tratas-me por você, estendes a mão mas o teu braço fica colado ao corpo, na distante segurança de não saíres de um perímetro de segurança.

o que tu tens para me deixar é a tua partida para longe, onde há uma casa que é tua, uma lua que é tua, um jeito de dizer as coisas nesse tom de voz que alguém entende, mas eu não, nos teus braços que ganharão vigor e apertarão os braços de alguém, os meus não. o que tu tens para me deixar é esta maneira de não me deixares nada.

2 comentários:

maçã disse...

Que belo texto :)!

Unknown disse...

yeap, como se os raios de sol terminassem de brilhar antes mesmo de nascerem. Gostei do texto!

Abraço

Arquivo do blogue